O Código de Ética Médica é um conjunto de princípios e diretrizes que regem a conduta dos profissionais da área da saúde. Sua importância reside na garantia de um atendimento ético e responsável aos pacientes, além de estabelecer parâmetros para o relacionamento entre médicos, colegas de trabalho e demais envolvidos no contexto clínico. 

Neste artigo, abordaremos os principais pontos que sua clínica deve levar em consideração ao seguir o Código de Ética Médica. 

Através dessas orientações, será possível promover uma prática médica mais humanizada e eficiente, assegurando a confiança dos pacientes e fortalecendo a reputação do estabelecimento no mercado.

O que é o Código de Ética Médica?

O Código de Ética Médica é um conjunto de regras e princípios éticos estabelecidos para orientar a conduta dos profissionais da medicina. 

Essas diretrizes visam assegurar que os médicos atuem de maneira ética, respeitando os direitos e a dignidade dos pacientes, bem como mantendo padrões elevados de prática médica.

O código abrange uma variedade de aspectos, desde a relação médico-paciente até questões relacionadas à pesquisa e à divulgação de informações. Ele serve como um guia essencial para os médicos, ajudando-os a tomar decisões éticas em diversas situações. 

A atualização periódica do código reflete os avanços na medicina e as mudanças na sociedade, garantindo que os princípios éticos permaneçam relevantes e adaptados aos tempos atuais.

A importância do Código de Ética Médica

ética médica: dois médicos segurando uma prancheta enquanto um deles aponta, eles estão apoiados sobre uma mesa O Código de Ética Médica desempenha um papel essencial na assistência à saúde, uma vez que estabelece os alicerces éticos que norteiam a conduta dos médicos em sua prática profissional. Sua relevância transcende várias áreas críticas:

  • Proteção do paciente: O código é um pilar fundamental na garantia de que os pacientes sejam tratados com respeito, dignidade e qualidade. Ele coloca ênfase na autonomia do paciente, seus direitos e na promoção de cuidados compassivos;
  • Confiança pública: Ao seguir rigorosamente os padrões éticos definidos, os médicos constroem e preservam a confiança da sociedade na profissão médica. Essa confiança é um alicerce crucial para o estabelecimento de relacionamentos confiáveis entre médicos e pacientes e para a credibilidade da medicina como um todo;
  • Responsabilidade profissional: O código delineia responsabilidades claras para os médicos, incluindo a obrigação de manter registros precisos, respeitar a confidencialidade das informações dos pacientes e garantir que o consentimento informado seja obtido adequadamente;
  • Relações interpessoais: Ele promove a importância do respeito mútuo e da colaboração nas interações entre médicos, pacientes e colegas de profissão. Isso cria um ambiente mais saudável e propício para a prestação de cuidados de saúde eficazes;
  • Regulamentação da profissão: O código contribui para a regulamentação da prática médica, estabelecendo diretrizes éticas que garantem a manutenção de padrões elevados na profissão, o que é essencial para a segurança e a qualidade dos serviços de saúde prestados;
  • Ética na pesquisa: Além da assistência direta ao paciente, o código também orienta a conduta ética na pesquisa médica, protegendo os direitos e a segurança dos participantes de estudos clínicos e garantindo a integridade científica;
  • Atualização constante: O código é revisado regularmente para acompanhar os avanços na prática médica e as mudanças sociais. Isso garante que os médicos estejam cientes das últimas diretrizes éticas e possam aplicá-las de forma eficaz em sua prática cotidiana, mantendo a profissão atualizada e em conformidade com as expectativas da sociedade.

Principais mudanças do Código de Ética Médica

Em 30 de abril de 2019, passou a vigorar o novo Código de Ética Médica do país. Esse documento introduziu novas diretrizes e modificações que terão impacto no cotidiano dos profissionais da saúde. 

O novo Código de Ética Médica trouxe diversas mudanças significativas, refletindo a evolução da prática médica e as necessidades contemporâneas.

Mudanças no uso de redes sociais

O Novo Código de Ética Médica trouxe alterações significativas, notadamente no tocante ao uso de redes sociais por profissionais da área. 

Anteriormente regulamentado por uma resolução específica, esse tema agora integra o corpo do Código, estabelecendo limites claros para essa prática.

Recusa de exercício em condições indignas

Outra inovação importante é o reconhecimento do direito do médico de recusar o exercício da profissão em instituições públicas ou privadas que ofereçam condições de trabalho indignas ou que possam comprometer a saúde dos pacientes. 

Essa decisão deve ser comunicada ao diretor técnico da instituição, aos Conselhos Regionais de Medicina e às comissões de ética do local.

Direitos dos médicos com deficiência ou doença

No que diz respeito à saúde dos próprios profissionais, o novo código destaca o direito dos médicos com deficiência ou doença de exercerem a profissão, desde que dentro de seus limites de capacidade e sem discriminação.

Liberação judicial de documentos médicos

Uma significativa modificação refere-se à liberação judicial de documentos médicos. Agora, a obtenção de cópias do prontuário para atender a uma ordem judicial ou para defesa própria tornou-se mais acessível, dispensando a necessidade de passar por perito médico e eliminando a exigência de autorização escrita do paciente.

Regulamentação em pesquisas médicas

No contexto de pesquisas médicas, o novo Código de Ética Médica mantém a proibição do uso isolado do placebo em experimentos quando há um método profilático ou terapêutico eficaz. 

Além disso, destaca a obrigatoriedade da elaboração do sumário de alta e sua entrega ao paciente quando solicitado, promovendo uma transição segura no cuidado e facilitando a comunicação entre profissionais e serviços médicos diversos.

Orientações fundamentais mantidas

Algumas orientações essenciais foram mantidas, incluindo o respeito à autonomia do paciente, especialmente em situações terminais, a preservação do sigilo médico-paciente e a proteção contra conflitos de interesse em atividades médicas, de pesquisa e docência. 

Esses princípios fundamentais continuam a ser pilares importantes no exercício ético da medicina.

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Como o novo Código foi elaborado e qual seu objetivo?

etica medicinal: médico branco estedendo a mão direita para comprimentar, em sua mesa está uma prancheta com papéis , ele está vestido com jaleco branco e um estetoscópio no ombro Após quase três anos de intensas discussões e análises, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o relatório que atualiza a versão anterior do Código, vigente desde 2009.

A elaboração do novo Código de Ética Médica foi fruto de extensa consulta à classe médica, iniciada em 2016. Nesse período, foram analisadas diversas propostas encaminhadas por associações médicas, sociedades de especialidades, entidades de ensino médico e outras organizações, além dos médicos devidamente registrados nos Conselhos Regionais de Medicina (CRM).

As sugestões, que podiam abordar alterações, inclusões ou exclusões de texto do código então em vigor, passaram pela análise das comissões estaduais de revisão dos CRMs e pela Comissão Nacional de Revisão do Código de Ética Médica do CFM.

No III Conem, em 2018, membros dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina (CFM/CRMs), entidades médicas nacionais e especialistas convidados deliberaram, por meio de votação eletrônica, a redação final do texto.

Qual foi o objetivo dessa atualização?

O novo Código de Ética Médica teve como objetivo principal atualizar diretrizes, especialmente aquelas relacionadas às inovações tecnológicas na área da saúde, bem como abordar questões de comunicação e relações sociais no setor.

Mesmo com essas atualizações, o novo documento preocupou-se em manter o mesmo número de capítulos, que tratam dos princípios, direitos e deveres dos médicos.

Ética na prática clínica

Assegurar uma prática clínica ética é um imperativo para a integridade e confiabilidade da medicina. Em uma clínica de saúde, a aplicação efetiva dos princípios delineados no Código de Ética Médica é uma responsabilidade crucial. 

Vamos aprofundar como esses princípios podem ser incorporados em diversas situações:

Relação médico-paciente: Construa uma relação de confiança, demonstrando empatia e respeitando a autonomia do paciente. Proporcione comunicação transparente e compreensível, compartilhando informações relevantes de forma ética.

Uso de redes sociais: Exerça moderação e cautela ao utilizar plataformas online para marketing, evitando a divulgação de informações que possam comprometer a confidencialidade dos pacientes. Demonstre profissionalismo e responsabilidade nas interações online para preservar a imagem da profissão.

Recusa de atendimento: Quando necessário, recuse o atendimento em ambientes que não oferecem condições dignas e seguras, comunicando formalmente a decisão às autoridades competentes. Colabore com os órgãos reguladores, como os Conselhos Regionais de Medicina, para garantir uma abordagem ética diante dessas situações.

Documentação médica: Adeque-se às recentes mudanças no que diz respeito à liberação judicial de documentos médicos, garantindo transparência e aderência às normativas legais. Facilite a transição do cuidado através da elaboração e entrega de sumários de alta quando solicitado, promovendo uma comunicação eficaz entre profissionais de saúde.

Pesquisas em medicina: Siga as diretrizes éticas em pesquisas, especialmente em relação ao uso de placebos, assegurando a integridade e segurança dos participantes. Contribua para o avanço do conhecimento médico de maneira ética, responsável e respeitando os princípios da pesquisa.

Respeito à diversidade: Garanta que médicos com deficiência ou doença sejam tratados com respeito e igualdade, proporcionando oportunidades justas para o exercício da profissão. Crie um ambiente inclusivo na clínica, livre de qualquer forma de discriminação.

Comunicação com outros profissionais: Mantenha uma comunicação aberta e eficiente com outros profissionais de saúde, fortalecendo o trabalho em equipe para benefício dos pacientes. Evite conflitos de interesse que possam comprometer a qualidade do atendimento e a integridade da prática médica.

Consequências da não-conformidade ética

Não seguir o Código de Ética Médica pode ter sérias consequências, afetando tanto as práticas clínicas quanto a reputação dos profissionais. 

Isso pode resultar na perda da confiança dos pacientes, prejudicando as relações profissionais e até acarretando em consequências legais, como processos disciplinares e perda da licença médica. 

Além disso, a não conformidade ética pode ter um impacto negativo na reputação da instituição de saúde, afastando pacientes e dificultando parcerias.

Profissionais de saúde que não seguem o código de ética podem enfrentar dificuldades na carreira, com efeitos duradouros na sua reputação e satisfação profissional. 

A integridade profissional é comprometida, e a relação médico-paciente pode sofrer desgastes significativos. 

Em última análise, aderir aos princípios éticos é essencial não apenas para a preservação da reputação individual, mas também para manter a confiança e o respeito fundamentais na prática médica.

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